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Café e Melancolia

  • ao amigo distante
    que precisa fugir
    para não dormir
    em seu próprio funeral

    ao filho perdido
    que em sua angústia
    sabe que os pais choram 
    madrugada a dentro

    as prostitutas
    que doam seu corpo por prazer ou por dor
    aos homens solitários nos cafés
    aos que perambulam na cidade
    por migalhas de carinho

    aos passarinhos mortos
    aos pintores que se matam de tanto amor
    aos poetas
    que escrevem para ninguém

    à você, dedico esta carta
    velho amigo
    e aos que fogem em seus vícios
    o mundo é um velho cão
    o sexo
    drogas
    álcool
    e a escrita
    são o nosso consolo
    e aos derradeiros
    aos que têm fé
    rogo-lhes
    orem por eles
    orem por mim
    Continue Reading
    eu queria que a energia acabasse
    e as ruas inalasse o cheiro de podridão de suas próprias impurezas
    sei que uma hora
    o raio vermelho no céu
    irá eclodir

    e eu sozinho
    vou sentar e esperar
    esperar
    o poste clareia meu quarto
    a luz alaranjada
    eu sem sono
    vou à cozinha
    bebo um copo d'água
    olho o telefone
    uma chamada perdida
    minha avó
    querendo saber se eu já comi

    desço as escadas, no porão tem uma corda
    amarro ao teto
    tento imaginar como será
    mas desisto
    1h da manhã
    volto para cama
    olhos vidrados
    pílulas por todo lado

    não ligo
    se o amanhã não vier
    eu queria que a energia acabasse
    e os carros pararem de passar na pista em velocidades altíssimas

    queria que os vermes devorasse os maus
    mas eles não diferem nada
    podre
    podridão
    o mundo é podre
    e as horas não passam

    Continue Reading
    Ela disse
    Eu já acostumei com isso
    Os homens aparecem na minha vida
    Depois
    Eles somem
    Eu até tive um De-Já-Vú
    Que com você seria a mesma sentença
    Isso não me impactou

    Você se sabota e vive em função da sua maldita doença
    Quando se der conta
    Vai está caduco
    Seu pau não vai servir para nada
    Só para molhar todo o sanitário de mijo
    Durante as horas da madrugada
    Com incontinência

    Você e esse seu medo
    Vai te corroer até não sobrar nada
    E você vai viver de fotografias e poesias
    Eu não quero isso para mim - ela disse
    É, tem razão - eu disse
    Você merece amor
    E eu só pude te dar carinho

    Continue Reading
    Cheguei a esse nível
    Não me importo mais
    Os pássaros morrem
    As águas escorrem 
    Se perdem 
    Não importa
    Qualquer causa já não me comove
    As pessoas 
    Elas me fazem ter empatia
    Causas
    Não

    Passei do ponto
    Suicídios me comovem
    As pontes 
    Viadutos
    Remédios

    Preciso sempre me dopar de comprimidos
    Para enfrentar os monstros
    Relacionamentos?
    Eu saboto todos eles

    Nascer nada mais é que dor
    E sabemos bem do que se trata
    Às vezes
    Na chuva
    Me sinto vivo
    Nos dias nublados
    Mas se o sol aparece
    O desespero bate à porta
    Como disse o velho Buk
    Tem um pássaro azul no meu peito
    Mas eu sou duro demais com ele
    Então o prendo
    Ele tá morrendo aos poucos
    Encaixotado, coitado
    Mas o que é a liberdade, afinal?
    Poesia
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    mulheres desmaiadas
    policiais em chamas
    negros espancados
    crianças aos gritos
    saque à lojas
    sangue
    malícia
    crueldade
    caos
    pavor
    vírus
    um pandemônio
    e a cidade como a antiga Babilônia

    o sentinela
    coitado
    voltou para casa
    lembrou que tinha esquecido de desligar a tevê
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